Recife pelas #DiretasJá!

July 4, 2017

 

 

Domingo que vem vai ter ato pelas #DiretasJá no Cais do Alfândega, no Centro da cidade (Recife Pelas Diretas Já!). Vai ser massa! Artistas, produtores e produtoras culturais, gente de organizações da sociedade civil do Recife estão à frente. Participarão também a Frente Povo Sem Medo - PE e a Frente Brasil Popular - PE, que têm liderado o enfrentamento ao retrocesso democrático desde o princípio. Naturalmente, sindicatos e partidos que se uniram recentemente numa ampla frente pelas diretas também estarão lá.

Através do nosso mandato, tenho repercutido na tribuna da Câmara Municipal do Recife todas essas manifestações. Sinto a necessidade de “oficializar”, através do espaço formal que ocupo, que existe essa demanda na população. Uma demanda que se atesta através de pesquisas de opinião, mas nem precisava. Quando estou nos ônibus da cidade, nas feiras e mercados, quando vou à padaria, nunca deixo de perguntar: “Como você acha que deve ser escolhida a próxima pessoa a ocupar nossa presidência?” A resposta não demora e é sempre a mesma: #DiretasJá

Eu tinha nove anos quando Tancredo Neves foi escolhido pelo colégio eleitoral em 1985, mas lembro da agonia da família que acompanhava a eleição indireta pela televisão. O máximo que se podia fazer era “torcer”. As eleições diretas viriam apenas quatro anos depois. Dessa vez o que me impedia de votar era a idade, mas senti a campanha e fiquei fascinado com a possibilidade de o povo novamente tomar as “rédeas” do processo democrático. Meu candidato preferido não ganhou, mas o precedente estava estabelecido.

Eram tempos em que profissionais da imprensa clamavam pelo “fim da censura” e pela liberdade de expressão. Em que gente chegava até a ouvir que era perigoso “participar da política”. Naquele finzinho da ditadura civil-militar, a presença do Exército nas ruas do Brasil ainda era bem viva nos relatos que ouvia de meu pai e minha mãe. Naquele mesmo ano das indiretas, encerrava suas atividades a Comissão de Justiça e Paz (CJP) Diocesana – criada por Dom Helder Câmara, criada para lutar por direitos humanos em tempos de chumbo.

A mesma @CJP que foi recriada há cerca de duas semanas, juntando militantes históricos e jovens progressistas ligados à igreja, que vêm nos tempos atuais a necessidade de se retomar a luta do “Arcebispo Vermelho”.

Num ônibus em que peguei, uma menina disse que não estava indo pros protestos porque tinha medo. “Minha mãe não deixa, é perigoso...”

Quando gente falava em retrocesso, não era figura de linguagem.

A verdade é que a minha geração jamais imaginou que precisaria lutar para ter o direito de decidir quem ocupa a principal cadeira do poder Executivo nacional. Nem passava pela minha cabeça que mais uma vez veria o Exército nas ruas para deter manifestantes. Muito menos que a luta pelo direito à comunicação, que há anos aponta para a importância da regulação dos meios e a necessidade de mais diversidade e políticas públicas, mais uma vez precisaria levantar a bandeira da liberdade de expressão, luta que já considerávamos quase vencida.

Neste momento a gente deveria conquistar mais direitos, mais igualdade, mais transparência e mais democracia, mas o sentimento que nos toma é o de atraso, engolido/as por um túnel do tempo. Um perverso túnel que nos leva a uma realidade em que até os direitos que achávamos mais consolidados estão ameaçados.

É o que temos para hoje. Escancaradas estão as relações nada republicanas de um Executivo e um Congresso subservientes a um punhado de empresas tão corruptas como grande parte da nossa classe política. Reformas continuam tão necessárias quanto eram de fato há 30, 40 anos. 

A da mídia, a política, a tributária, a agrária...

Jogar a toalha não é opção. É justamente nos momentos mais nebulosos que mais precisamos estar junta/os. Que mais precisamos ocupar a política e assumir o protagonismo dos espaços de decisão. Mudanças relevantes são feitas com pessoas reunidas em grandes quantidades com pautas objetivas em espaços públicos e visíveis. Se de fato mais de 85% da população brasileira querem escolher de forma direta quem vai retomar o caminho democrático do nosso País, tá na hora de todo mundo mostrar a cara.
 

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