Ocupação Marielle Franco completa 01 semana

March 27, 2018

 

 

A Ocupação Marielle Franco transpira simbolismo para além da homenagem à defensora dos direitos humanos assassinada numa trama com evidências de um crime político.

 

Organizada por mulheres do MTST, a ocupação completa hoje uma semana de existência, devolvendo à vida um prédio de seis andares abandonado há mais de duas décadas no coração do Centro do Recife. Onde quase nada havia além de uma dívida pública de R$ 1,6 milhão de IPTU hoje há solidariedade, resistência e reivindicação pelo direito à moradia.

 

 

 

O fim de semana da Ocupação Marielle Franco foi o primeiro de movimentação no Edifício Independência, situado na praça de mesmo nome, próximo à Avenida Dantas Barreto, desde meados da década de 1990, quando o imóvel que já abrigou um hotel fechou as portas. 

 

Outros prédios tiveram o mesmo destino e hoje são 42 imóveis abandonados apenas no bairro de Santo Antônio, segundo levantamento da Habitat para a Humanidade, entidade internacional que debate e trabalha o direito à moradia. Quando ampliada para os outros bairros do Centro (Boa Vista, São José, Recife Antigo), a sombra do abandono é desoladora: quanta gente sem casa, quanta casa sem gente!    

 

 

 

A rotina na Marielle Franco têm sido de arrumação do ambiente e de cuidados para com as pessoas que lá estão. Na cozinha comunitária, o trabalho quase não para. Mãos voluntárias e cuidadosas preparam as três refeições. Crianças e idosos têm preferência. Mas ninguém deixa de comer. Os alimentos doados já estão organizados em dois antigos armários do tipo fichário. Arroz, feijão, macarrão... Cada item separado e contabilizado.

 

As regras da ocupação (sim, elas existem numa ocupação!) estão expressas em folhas de papel ofício fixadas, em cada pavimento, em local visível. Não ingerir bebidas alcoólicas e não tratar as outras pessoas com preconceito são algumas delas. As normas são repassadas nas assembleias do MTST e cumpridas sem maiores problemas no cotidiano.

 

 

 

No domingo, além de terapia ocupacional, as famílias foram atendidas pelo médico da família Rodrigo Cariri. De forma voluntária e com seu jeito tranquilo, ele observou as mulheres e as crianças e atestou as condições de higiene do local.

 

Os dias na Marielle Franco são de esperança e espera. A Prefeitura do Recife ainda não sinalizou politicamente qual caminho pretende escolher: se aproveita a demanda gerada pela ocupação e inicia o processo de resgate do centro por meios das moradias populares, ou se permanece omissa do do debate.

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